quinta-feira, 22 de março de 2007

Há de ser ruim

O que há de ser tão ruim,
quanto a voz que briga?
quanto a mão que recusa o braço?
quanto o corpo que dá as costas?

O que há de ser tão ruim,
quanto a mochila no ombro?
quanto o tchau apressado?
quanto a porta batendo?

O que há de ser tão ruim,
quanto a falta da presença?
quanto o sentimento da falta?
quanto a solidão dessa espera?

O que há de ser tão ruim,
quanto o choro prendido?
quanto os maus pressentimentos?
quanto a impossibilidade de contato?

O que há de ser tão ruim,
quanto a angústia que cresce?
quanto a angustia que cresce?
quanto a angústia que só faz crescer?

O que há de ser tão ruim,
quanto o arrependimento pelas palavras?
quanto a dor de não poder desdizê-las?
quanto o frio de dormir só?

Dormir não, tentar!

O que há de ser tão ruim,
Quanto não ter o afeto?
Quanto não ter o beijo?
Quanto não ter o suor?

É por essas e outras, meu amor,
que jamais quero brigar contigo
jamais quero passar essa noite
jamais quero esses sentimentos

Pedro Alves

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